quarta-feira, 14 de março de 2012

MEU NORTE
Marlene Caminhoto Nassa

Vaga o pássaro mortalmente ferido
No mar, sobre a onda forte...
Vaga a onda e sem encontrar vaga,
Arrebenta na rocha que lhe fez barreira.

Vago eu no que divago da chaga
desse pássaro ferido e em cegueira,
que sem sorte
encontrou a morte
pensando encontrar seu norte...

terça-feira, 13 de março de 2012

MUDANÇA
Marlene Caminhoto Nassa

Silenciosamente e em solidão,
surdo e mudo  o silêncio
me muda
em cio silente de transformação.
Vida e morte se amam enfim
para criar o ser que irá nascer
dessa germinação que acontece em mim.
Reviravolta que me volta
 das entranhas
finalmente se solta
de dentro de mim.
Eu colho e recolho nesse parto,
dolorida,
o novo eu,
recém nascida...
E  muda, nessa parida
mudo ao fim...

segunda-feira, 12 de março de 2012

CONTINUAR A ENCANTAR
Marlene Caminhoto Nassa

A tua ausência
tem sido para mim
a  mais triste presença,
a mais sofrida sentença...
E mesmo nessa descrença
que nutres sobre a verdade
que não queres acreditar
e  minha perseverança
em te provar a lealdade
sobre a palavra empenhada
não me deixa ficar calada
e necessito gritar:
Eu te quero de qualquer
maneira
só não me deixes aqui
nesta beira
tentando me equilibrar
nem deixando o pranto rolar
Amanses um pouco
teu coração
Não me digas mais
não!
Ame me com a ternura
do primeiro olhar
a paixão do primeiro sexo
aperte-me
num amplexo
extremanente solar
Olhe me fundo
nos olhos
Nunca me faças
mais chorar
Beijes a palma de minha mão
e seja o que for
por favor
continues a me encantar!
ALCANCE
Marlene Caminhoto Nassa

Uma parte de mim
ainda sonha
Mas a outra parte
Não

Uma parte de mim
ainda tem esperança
Mas a outra
tem solidão

Uma parte dos meus olhos
alcança o infinito
Mas a outra parte
Só alcança o chão

Uma parte dos desejos
Alcanço com as mãos
A outra parte
Não

Uma parte de mim é alegria
é futuro
Alcança a utopia
A outra parte
Não

Uma parte de mim
não mais me alcança
E a outra parte
Também
Não!

sexta-feira, 9 de março de 2012

COMPOSITORES
Marlene Caminhoto Nassa

Em seu colo, nua, sentada,
meu corpo se amolda feito um violão
à espera de ser tocado...

Enquanto seu dedo me dedilha
transformando me em instrumento seu
esse corpo tocado partilha
melodias em descompasso meu

Compositores de carne e de amor
a fazer concertos por onde for... 

sábado, 3 de março de 2012

ROUPA
Marlene Caminhoto Nassa

Quero que fiques nu
E vas te vestindo de mim
Bem devagarinho...

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

SUA CHAVE
Marlene Caminhoto Nassa

Minha fenda
é sua prenda
no lençol de renda
É a minha oferenda
para que entenda
que não há contenda
e tampouco lenda
no percurso dessa senda
pois só você
tem a chave
ao som grave
do blue suave
que abre
essa minha fenda...