sábado, 17 de dezembro de 2011

GRANITO
Marlene Caminhoto Nassa

Como resto grudado na barranca de um rio
sinto me agora um arremedo de poesia
restante da torrente das águas turbulentas
das tuas palavras de incompreensão e de frio

Arrastou nessa corredeira toda minha alegria
E deixou na minha alma a sensação do vazio
E o significado de ter sido só objeto
de uso consentido
descartável
poluído
mas não menos
infinitamente doído...

A doçura de antes,
Conseguido teu intento,
tirou me de vez
o alento
e o encanto
transmudou me o canto

E hoje
meu grito
é só de granito...

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

CONTINUAR A ENCANTAR
Marlene Caminhoto Nassa

A tua ausência
tem sido para mim
a  mais triste presença,
a mais sofrida sentença...
E mesmo nessa descrença
que nutres sobre a verdade
que não queres acreditar
e  minha perseverança
em te provar a lealdade
sobre a palavra empenhada
não me deixa ficar calada
e necessito gritar:
Eu te quero de qualquer
maneira
só não me deixes aqui
nesta beira
tentando me equilibrar
nem deixando o pranto rolar
Amanses um pouco
teu coração
Não me digas mais
não!
Ame me com a ternura
do primeiro olhar
a paixão do primeiro sexo
aperte-me
num amplexo
extremanente solar
Olhe me fundo
nos olhos
Nunca me faças
mais chorar
Beijes a palma de minha mão
e seja o que for
por favor
continues a me encantar!
PRESENTE SOLIDÃO
Marlene Caminhoto Nassa
A mesma intensidade
que me pregou
na cruz
do teu abraço
e me atou
nesse laço
dessa cruz
e que me encantou
com tua luz
fez me cruxificar
na dor silente
e na solidão
sem luz
agora presente
desse teu ausentar...

terça-feira, 15 de novembro de 2011

VENHA DEPRESSA
Marlene Caminhoto Nassa

O espaço traçado
entre voce e eu
de repente se fechou
no lado seu...
Meu coração
apertado
um bocado
sentiu se
encurralado
sem saber
qual lado
escolher...
Voce impos
essa barreira
assim sem eira
nem beira
E não ve
nessa atitude
que se ilude
pois não deixo
de querer...
Minha paixão
é tão forte
que me retira
o norte
e faz com que
até me fira
mas nunca tira
o tesão que tem
seu nome
e que inteira
me consome
devagar...
Dá uma trégua
mata minha fome
desmedida de régua
e sem nada regular
Seja de novo
o meu homem
e venha depressa
me amar!

sábado, 12 de novembro de 2011

MEMÓRIA EM MIM
Marlene Caminhoto  Nassa

Você já escreveu
Sua memória
Feito poesia
Em mim...
Foi se embora sem ler.
Deixou os versos seus
Gemendo...
Gemendo...
Nos ouvidos meus...




AZUL MARINHO
Marlene C Nassa

Quando o sol está se pondo
Lá na linha do horizonte
É para mim mesma que respondo
As perguntas que fiz de manhã

Percebo que nada escondo
Que vivi tudo de alma sã
Enquanto o azul claro do céu
Em azul marinho foi se tornando

Consciência tranqüila e paz
Cobrem meu espírito como um véu
Do azul marinho doce mel
Um tapete de estrelas se faz

Traz serenidade e me invade
E as estrelas mostram esperança
E que pode haver luz e bonança
Nesta minha já meia idade
SEM FIM
Marlene Caminhoto Nassa
Me beije
me cheire
me lambe
me toque
me jogue
na cama
me mostre
teu corpo
crescendo
fazendo
meu corpo
ansiar

me deixe
gemendo
gemendo
continue
a beijar
enterre
bem fundo
me vire
de lado
de costas
de baixo
de cima
continue
a beijar
me deixe
gemendo
gemendo
o movimento
comandar
continue
beijando
cheirando
lambendo
tocando
estocando
estocando
me deixe
gritando
gritando
ate junto
gozar!!!

continue
mexendo
mexendo
beijando
beijando
lambendo
lambendo
não pare
nem saia
de dentro
de mim
te quero
sem fim!!!!

terça-feira, 8 de novembro de 2011

OLHOS DO TEU CORAÇÃO
Marlene Caminhoto Nassa

Olhes-me com o olhar
Só do teu coração
Entendas-me
Com a compreensão de poeta
Tateies por meus sentimentos
Toda a dimensão do amor meu
Lendo só no braile da tua emoção
Os por quês desta minha solidão
Explores-me nesse teu ato
Minucioso, perfeito e exato,
Enviando de teu coração à razão
E encontrarás escondida nos espaços,
Camuflada entre outros traços
Que não são meus
A menina que sou de fato
E que agora se expõe aos olhos teus...

sábado, 29 de outubro de 2011

RESPOSTA TUA
Marlene Caminhoto Nassa
Leia-me com tuas mãos
no braile perfeito
da visão do tacto
Explora-me neste leito,
momento exato,
em que te permito
todos os acessos
Sejamos réus inconfessos
safados e devassos
neste nosso espaço
onde partilhamos
a alegria
o sexo
e o abraço
E para cada pedaço
tateado do corpo meu
respondes
com a poesia
da ereção do corpo teu...

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

com MARLENE CAMINHOTO NASSA

 


DE REPENTE, POESIA


Inseriu-se lentamente
num toque de desassossego
e o leitor sentiu-se tonto
com medo do brinquedo

A poesia fez-se luz
brindava ao puro amor
retirava espinhos de dor
abria sorrisos espontâneos

Mas o medo não impedia
toda a ousadia de tentar
e as palavras borbulhantes
explodiam dele, sem parar

E soltos, os versos formavam
estrofes em profusão e finalmente
nascia assim uma linda poesia
de outra maneira e de repente!

Anorkinda e Marlene Caminhoto Nassa

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

O BEIJO NA PALMA DA MÃO
Marlene Caminhoto Nassa


Depois que beijastes a palma de minha mão
A solidão e o tédio não existem mais não
O poço fundo de mistérios meu e teu
É o que nos fará alçar voos e
Acompanharmos os volteios do falcão
Mas ele não nos pega não...
A flor do cemitério
Germinada em podridão
Dela nunca haveremos de sentir o cheiro
Com o tempo morrerá no mesmo chão...
O riso das manhãs será só nosso
Tomaremos o café fresco que eu faço
E dividiremos o pão e o passo
Pranto só de prazer em nosso laço
O fogo de nossa paixão arde
E não haverá visgo e tem nome
O bebê que vês é o que dentro nos habita
E a mão será sempre bendita
A derreter qualquer gelo e fome

O mundo está pleno, inteiro,
Por que meu amor por ti
É verdadeiro!
O que explode dentro de mim
É uma bomba de cetim
De teu sêmen em mim
Nós dois nos despimos no chuveiro
E tu acariciarás o meu rim
E na brisa da noite, com o cheiro do jasmim
Receberás o beijo doce e ele tem dono
É só teu! De mais ninguém enfim
No quarto te espero sempre sem temor
Pois aceitastes o meu amor
Não pulo sozinha essa dança,
Celebras comigo a vida sem morte
Nós nos encontramos e isso é sorte!

Chovia a chuva benfazeja
Enquanto a palma da mão tu me beijavas
O sol invadia nossa vida e coração
Comeremos um pão abençoado
De mãos dadas e em comunhão
Eu te oferecerei o vinho da paixão

O mundo que verei de olho aberto
Será nosso mesmo, homem,
E terá o tamanho de nossos sonhos,
Infinitamente maior do que um grão...
Haverá só paz na nossa terra
E o nosso chão será canção
Nunca te negarei minha água
E repartiremos todo o pão
Esse mundo atrás de nossa porta
Será de luz e muito amor
É novo ainda, mas o que importa
Não é o som do pandeiro ou
Os furos da peneira sem eira
Pois teremos até tribeira,
Eu te prometo
Meu grande e infinito amor!

quinta-feira, 13 de outubro de 2011

SAL E MEL
Marlene Caminhoto Nassa

A delícia de dialogar com um poeta
É que só ele consegue salgar uma gruta
Esculpindo poemas de forma tão quieta
Mas criando arte até da palavra bruta
Enquanto escreve uma poesia louca
Exploda estrofes de suas águas represadas
Inunde de seu sal e mel a minha boca!

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

domingo, 18 de setembro de 2011

SOZINHA
Marlene Caminhoto Nassa

Eu tentei copiar as entrelinhas
Que brotavam do que me escrevias
E nesta noite invernal
Tento juntar todas as linhas
Pra formar tua figura real
Mas com as frases que fiquei lendo,
Resumidas numa única linha,
Fico aqui me aquecendo
Tentando fazer amor sozinha...
ENCONTRO NUM VERSO MEU
Marlene Caminhoto Nassa

Um encontro contigo quero marcar
Tem que ser num verso meu
Antes da minha poesia acabar...
Há muita tristeza e dor
Pois deixastes meu coração partido

E quando chegares ao meu verso,
Cuidado! Ele está muito dolorido!
Aproxima-te devagar
De todas as palavras tristes
Que fores encontrar
E que formam estrofes sem cor
Pois serás tu que me trarás alegria

Ao nosso encontro na poesia

O tempo escasso nos domina
Façamos amor já sobre essa rima
Precisamos viver esta paixão tão linda
Para transformar toda a minha dor

E quando minha poesia já estiver finda
Seremos nós dois um poema de amor!
SEDUÇÃO
Marlene Caminhoto Nassa

Quero vestir minha alma
Com a transparência
Das rendas e do cetim
Para que tu a conheças
Melhor assim

Delinear o contorno
Dos olhos de negro
E nas faces espalhar
O mais puro carmim

Maquiar a boca de vermelho
Para o meu beijo marcar
Pelo teu corpo inteiro
E te prender com meu beijar

Amarrar-te em uma teia
De perfumes e luz de velas
Em candelabros de cristal

Tirar devagarzinho a meia
Enquanto ficas a me espiar
Desenhar com dedos e a boca
Loucas telas
No teu pensar

Lambuzar com cores
Todo o teu desejar
Arrepiar-te por inteiro
Esquecendo os pudores

Colocar te em ebulição e
Sentir te meu e verdadeiro
Nessa deliciosa sedução

sábado, 10 de setembro de 2011

PELA ESTRADA
Marlene Caminhoto Nassa


De não ser mais decidida
De não oferecer a outra face
Para bater...
De não se importar com mais nada
De só conseguir ficar calada
De não parar de sofrer

Farrapos vão caindo de mim pela estrada
À procura de um abrigo...
Mas os pedaços meus pela estrada
Quando não encontram um amigo
São somente farrapos

E mais nada...
FIM
Marlene Caminhoto Nassa

Nossa história foi tão curta
Que encontrou logo seu fim
Sou hoje uma folha seca
Inerte neste jardim...

Tento, em vão, buscar um apoio,
Separar o trigo do joio,
Acreditando que a decisão foi certa,
O que começa errado não se conserta...

Na solidão de dentro de mim
Impossível recolher os cacos assim,
Dar a mão à palmatória e
Reconhecer que eu errei

Colocar o orgulho do lado,
Prometer nunca mais cometer o pecado
De gostar de quem não gosta de mim...
CONFISSÃO
Marlene Caminhoto Nassa

Se ajoelhares aos meus pés
E ires percorrendo meus caminhos,
Com tuas mãos e tua boca
E me deixares como louca
A seguir esses teus passos
Juro que eu te confesso
Minhas fantasias mais secretas
Meus desejos mais devassos

Eu te mostro os pecados e peço
Que mostres os teus sem temor
E nossos obscuros lados
Poderão ser explorados
Sem nenhum pudor...
COLAR DE PÉROLAS
Marlene Caminhoto Nassa

Tu, deitado ao meu lado,
A me olhar...

E eu, ajoelhada e nua,
Com pérolas,
Para te enfeitar...

Quero envolver teu sexo
Com pérolas de meu colar
Circular suavemente,
Fazendo cada conta ir roçando,
Tua carne rija e quente,

E essas pérolas, como uma serpente,
Qual toque sutil de um dente,
Comprimindo o suficiente
Para te fazer enlouquecer
De prazer
Enrodilhadas na coluna tua...

De testemunha
Somente a lua...
SEM ESPAÇO
Marlene Caminhoto Nassa

Estendo minhas mãos, num anseio,
Tentando,
Que doida,
Segurar meu devaneio!

Mas é meu sonho
Que me escapa
E se esfiapa,
E em mil rodeios me enleio.

E assim enleada e enrolada,
Sem ter de mim mais nada,
Só espiar é o que me resta,
E do cantinho desta fresta,
Tento içar de mim um pedaço,

Pois quem sabe,
Devagarinho,
Eu possa desatar esse laço!

Mas que tola!
Sem espaço!
Como posso?
Como faço?
A MARIPOSA E A LÂMPADA
Marlene Caminhoto Nassa

Tão tonta como uma mariposa
Que vai a busca de luz
E morre sem piedade
Da lâmpada que a seduz

Fui em busca do teu chamado
Sem me importar com o pecado
Ofuscada pela brilhante luz
Dessa paixão desmedida

Já sabia o que esperar
Dessa ilusão descabida
Eu me apoiei em ti
Mesmo sabendo seres vento

Não pude então reclamar
Quando o vento virou furacão
Varrendo e levando com ele
Meus sonhos e minha ilusão
ARRUMAR A CASA
Marlene Caminhoto Nassa

Depois que daqui te fostes
Precisei arrumar a casa
Parecia um furacão
Que havia passado por ela

Meus sentimentos
Esgarçados
Amassados
Pisoteados
Arremessados no chão

Minha alegria
Antes tão linda
Quedava morta
Em baixo da porta

Em cima da nossa cama
Emaranhada nos lençóis
De cetim
Nossa história de amor
E chama
Agonizava enfim

As paredes testemunhas
Mudas
Do seu falso amor
A mim
Estavam encardidas
Difíceis de limpar
Assim

Vai levar muito tempo
Para limpar e arrumar
Se é que de casa
Posso chamar

Sem o teto e sem o chão
Histórias agonizantes
Turvando dela o semblante

E me lembrando
A todo instante
O cansaço que terei
Em meio a essa sordidez
Para arrumar e reerguê-la
Outra vez!
AZUL MARINHO
Marlene Caminhoto Nassa

Quando o sol está se pondo
Lá na linha do horizonte
É para mim mesma que respondo
As perguntas que fiz de manhã

Percebo que nada escondo
Que vivi tudo de alma sã
Enquanto o azul claro do céu
Em azul marinho foi se tornando

Consciência tranqüila e paz
Cobrem meu espírito como um véu
Do azul marinho doce mel
Um tapete de estrelas se faz

E as estrelas mostram esperança
Traz serenidade e me invade
E que pode haver luz e bonança
Nesta minha já meia idade

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

EDREDOM
Marlene Caminhoto Nassa

Embaixo do edredom
Mãos em sintonia
Num mesmo tom
Esquentaram a noite fria
E entramos em ebulição

Com nosso corpo colado
O coração pulsando apressado
O pobre do edredom
Foi logo jogado de lado

Melhor do que qualquer
Cobertor
É ter uma relação
Com amor
DISFARCE
Marlene Caminhoto Nassa

Tu te suplantas
Nos disfarces
E nas mentiras
Que tentas
Aplicar em mim

Sabes que não sou idiota
Mas se comporta mesmo assim
Enganas a ti próprio
Não a mim

Lugar de palhaço
É no picadeiro
E de galo
É no poleiro

Estou muito cansada
De atitudes infantis
Cresça
Amadureça
Enfim

Quem sabe
Não haverá
Entre nós
Inevitável fim
DEVANEIOS...
Marlene Caminhoto Nassa

Deveria ter-me afastado de ti
Evitaria esse sofrimento atroz
Vendo que tudo foi em vão...

As juras que me fazias
Nunca valeram um tostão
E as promessas de amor
Infelizmente também não...

O tempo poderá curar minha dor
Se eu conseguir sair deste chão!
DEPOIS DO AMANHÃ
Marlene Caminhoto Nassa

Desejo viver o agora
Não quero pensar no amanhã

Uso sempre meu melhor perfume
E perfumo o caminho que passo
Contemplo da noite o negrume
Não me arrependo do que faço

Coloco diariamente na mesa
As melhores louças e cristais
Enxugo me com toalhas macias
Acendo velas em castiçais

Quero somente usar
O que de melhor possuir
Sem nunca me preocupar
Se amanhã poderei fluir

É preciso viver o agora
Mesmo quando não se quer
E se amanhã é alguém
Que por nós chora
Em um cemitério qualquer?

Se eu estou viva nesta hora
Não sei o depois do amanhã

Só levarei o que vi ouvi e senti
E o que estiver dentro de mim

Se nessa vida não gozar
Das coisas boas, enfim,
Serão os outros a aproveitar
Desses bens materiais em vez de mim
MINHAS MÃOS CALAM


"Quanto tempo iludida
Quanto tempo colorida
Sem ver que na paleta da vida
Tu só via tons pasteis"


Ah! Como dói quando acontece...
E elas fecham-se em espasmos
Todas minhas cores, repentinamente se arrefecem
E as letras, não adiantam prece, se ausentam de mim...

Minhas letras...
Aquelas que te seguiam, em revoada
Sorridentes e coloridas te acordavam
Doando a ti, o arco-íres de mim...

Essas mesmas hoje, se vestem de cinza
E revoam os céus grafites
E lágrimas secaram ao vento, ao léu...

Elas simplesmente silenciam assim...
Fecham-se em si mesmas, como estátuas de sal
Se no aroma de tua alma, sinto algo de mal
e este negrume d'alma te abraça e abate

Nossa! Isto dói, e não é alarde...
Ver desmoronar um ser que amava
E perceber em tua aura, tanta mágoa

Fecham-se minhas mãos em pleno luto!
Luto, pela morte de um ídolo
No nascimento de um ser tão absurdo...

Mas ainda busco em meu íntimo, cores sépias
Para retocar as tuas folhas tão incertas
E espero um outono colorir...
As primaveras, que ja não vejo em ti.

Márcia Poesia de Sá – 04.01.2010
CULPA DO RELÓGIO
Marlene Caminhoto Nassa

Não posso culpar o relógio
Pelo tempo que vivi em vão

Pelo quanto te esperei também
Não posso culpá-lo não...

Pela eternidade que parece
O sofrimento nosso durar

Ele não pode ser o réu
Nem o podemos julgar

Quando não sentimos
O nosso tempo escoar

E despida de sentido
A nossa vida nos soar

Não pode ser culpa do relógio
Esse nosso tempo perdido

E o relacionamento rompido
COLORINDO MEU SENTIR
Marlene Caminhoto Nassa

Ainda bem que sempre disponho
Dentro de mim uma paleta de cores
Para ir colorindo o que é risonho
E também o que são as dores

Sentimentos são coloridos
É só ter alma para enxergar
Roxos são amores doloridos
E vermelho seduz o amar

O meu pezar tem cor escura
E a paixão lembra o luar
Sentimentos benfazejos
Recordam o azul dos azulejos
Das paredes de além mar

O meu sentir hoje é tão branco
Que até chega os olhos ofuscar
Pois são todas as cores para o formar
E eu vivo em arco íris a sonhar
COISAS DE MULHER
Marlene Caminhoto Nassa

A capacidade de gerar
Torna a mulher especial
Seu corpo e modelado
Para novo ser abrigar

Seus hormônios a conduzem
E a dotam de paciência
Exemplar
Ou de fúria
Espetacular

Só ela consegue em dezenas
Se multiplicar
Num único dia
Sem cessar

Vai da cozinheira faxineira
Motorista babá eleita
Enfermeira professora
Confidente companheira
Profissional perfeita

É amante à noite
Do marido
E mesmo insatisfeita
De manhã dá-lhe açoite
Do dia comprido
A lhe esperar

Passa da Cinderela
A gata borralheira
Num piscar

Sem direito sequer
De reclamar...
CHAMA DE TEU CORPO
Marlene Caminhoto Nassa

Quando encostas teu corpo no meu
Ele entra imediatamente
Em combustão

É como se uma labareda
Soltasse do corpo teu
E atingisse o combustível
Do meu...

Faísca de tensão
Desprende se do toque
De tua mão
Característica só
De quem ama
Chega dos olhos ao coração e
Numa fração
Incendeia
A nossa cama...
CASTELOS NA AREIA
Marlene Caminhoto Nassa

Não quis reconhecer o óbvio
E mais uma vez construí
Um castelo na areia
E quando veio
A maré cheia
Ele se foi
Com o mar

Mas sabem por que
É na areia que
Eu os construo então?

Por que é só de areia
Que é feito meu chão...
CARNAVAL
Marlene Caminhoto Nassa

É batuque na rua
É batuque no salão
E batuque no peito
Rimando no meu coração

Meus amores esfiapados
Transformei em serpentina
E espalhei pra todos os lados

Aqui só bebo alegria
Até me embriagar
Vamos entrar nessa folia
Sem ter hora pra parar

Passando de mão em mão
Conduziremos o trem da imaginação
Seremos o piloto do avião
Ou o comandante da embarcação

E sendo só imaginação
Sozinha nunca irei me sentir
No meio dessa multidão
Com as fantasias que poderei vestir

Sou a rainha sou o rei
E qualquer um outro serei
Dançando no Salão de festas
Dos corações de todos os Poetas!
CÂNTARO QUE SE PARTE

Marlene Caminhoto Nassa

Mesmo aos pedaços assim
O lindo cântaro de água
Espalhado em cacos pelo jardim
Parece alguma história de amor

Imagino que um dia ele foi lindo
Querido e desejado
Cheio de água ou de flor
Era sempre festejado
Enquanto servia a rigor

No chão, triste e quebrado
Sem serventia nem valor
Almeja não ser muito pisado
Para não sentir tanta dor

Aos pedaços, sem sua identidade
Ninguém hoje se lembra
O quanto ele deu de felicidade
Nem tem idéia de quanta sede aplacou

Não pode ser mais refeito
Assim esmagado e desfeito
Por mais que se sinta só
Não há jeito:
É como nós
Vai acabar virando pó...
BREVIDADE
Marlene Caminhoto Nassa

O instante
Não se conceitua
Pode durar uma brevidade
Pode durar uma eternidade

A libélula vive
Intensamente
Por um só dia
Mas é sua eternidade
Nesse dia

É breve o tempo
Quando estamos juntos
E morremos de saudade
Um instante longe
Parecendo eternidade

O efêmero
A brevidade
Tem que ter
Um contraponto
Mesmo assim

Enfim
Para poder se mensurar
Dependendo da intensidade
Do sentir
Podemos nunca acertar...

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

ALCANCE
Marlene Caminhoto Nassa

Uma parte de mim
Ainda sonha
Mas a outra parte
Não

Uma parte de mim
Ainda tem esperança
Mas a outra
Tem solidão

Uma parte dos meus olhos
Alcança o infinito
Mas a outra parte
Só alcança o chão

Uma parte dos desejos
Alcanço com as mãos
A outra parte
Não

Uma parte de mim é alegria
É futuro
Alcança a utopia
A outra parte
Não

Uma parte de mim
Não mais me alcança
E a outra parte
Também não!

domingo, 28 de agosto de 2011

Absinto e poesia
Marlene Caminhoto Nassa

No silêncio do meu quarto
Cesária Évora suave e delicada
Tua imagem
Refletida
No espelho
Do meu pensamento
É um maremoto
Que faz tremer
Meus vales
Montes, labirintos
Vibrações de ‘ais’
Que saem dos meus canais
Por onde tantas vezes navegastes
Saboreio o nosso Absinto
Agora numa taça azul
Aquele mesmo
Que, em muitos momentos,
Na tua boca bebi a esmo
Éramos doce explosão
Satélites que captavam
Até a mais curta onda
Misteriosa atração
Imãs naquele mar de sedução
Minhas mãos ainda molhadas
Do poema inacabado
Que procuravam por ti
Não resistem
E, sob a mesa,
Meus dedos te encontram
Agora de outro jeito que sabem
Banham-se no meio do mar
Do meu desejo
Onde sempre estás
A ondular...
O maremoto passa
Minhas águas se acalmam
Minha língua volta a se banhar
Em versos ao luar
Tomo mais um gole de Absinto...
Para ver se melhor te sinto...

E nas entrelinhas fico a te aguardar...
SABOR DO VINHO
Marlene Caminhoto Nassa


O vinho tinto nas papilas vai explodir
Milênios de anos de cultura nesse sabor e
Transformará tua boca em cálice aonde vou sentir
O amálgama mágico do vinho com o teu calor

Quero me embriagar desse vinho e de tesão
Com tua língua porejando em minha boca
O sabor intenso da uva e do seu chão
Entrelaçando com a minha feito louca

E nessa dança de línguas enroscadas
Transferes o teu sabor para mim
E através das nossas bocas coladas
Beberei o vinho com teu beijo assim...

sábado, 6 de agosto de 2011

DESLIZAMENTOS
Marlene Caminhoto Nassa



Suavemente tentando abrir
Teus dedos pelos botões deslizam
E aos poucos eles vão cedendo
E partes de meu corpo vão aparecendo

A blusa desliza desabotoada
Contornando a forma minha
E aos poucos amontoada
Aos teus pés ela se aninha

Deslizas agora tua língua
Pela extensão do corpo meu
Saboreando dele o meu gosto
E deixando nele o gosto teu

Deslizando no lençol de cetim
Nos encaixamos em côncavo convexo

Enquanto deslizas tua mão em mim
Aproveitamos o melhor do nosso sexo

quarta-feira, 27 de julho de 2011

FOSSA
Marlene Caminhoto Nassa

As pedras e os espinhos
Ao seguir por essa estrada bela
Dilaceram me aos pouquinhos
E vão me espalhando por ela

Meus pedaços vão ficando
Enquanto sigo caminhando
Espalhados pelo chão...
Minha voz rouca vai se tornando
E ninguém mais ouve, não.

Nessa estrada, é verdade,
Cada um com sua ocupação
Não tem tempo ou vontade
De me dar sua atenção

Sigo assim aos pedaços
Caindo em qualquer lugar
Tentando fazer laços
E com meus frágeis braços
Procurar até reter o luar...

Mas no fim do meu caminho
Sem ter mais nenhum pedacinho
Fico vazia e no escuro a chorar...
Lamentando e questionando
Se valeu a pena o meu caminhar...
DESEJOS
Marlene C Nassa

São tantos os desejos
Que eu poderia enumerar
Começando pelos sensuais
Até chegar aos espirituais

Desejar é também sonhar
È aguardar a realização
Daquilo que se põe a desejar

Desejo a precisão no ar
Do vôo das aves
O arrebatamento das ondas
No rochedo
O mergulho nos abissais do mar
Sem medo

Conhecer da alegria
O segredo
Desenhar nas nuvens
Com meu dedo

Resgatar a pureza
E a ingenuidade
Sem perder a verdade

Ter um farol e um porto
E viver à minha maneira

Possuir mundo
Sem fundo
Sem porteira
Amar sem barreira

sexta-feira, 8 de julho de 2011

CARNAVAL DA VIDA
Marlene Caminhoto Nassa

Eu não fui colombina
Nem você foi pierrot
Não existe a alegria
Mas foi só você quem mudou

Já brinquei no salão
Sozinha na multidão
Já chorei na cadência
Já rompi um cordão

Se eu não fui colombina
Nem você foi pierrot
Cadê meu coração?
Com quem é que ficou?

Se eu não fui colombina
E nem você pierrot
Por que hoje a tristeza
Em meu peito restou?

Se eu não fui colombina
E nem você pierrot
Do seu amor de fantasia
O que é que pra mim restou?

Só quarta feira
Só quarta feira de cinzas
Em minha alma ficou...
DE MÃOS VAZIAS
Marlene Caminhoto Nassa

Lá fora a chuva do verão alaga a cidade
E leva de roldão sonhos vidas ilusão
Aqui dentro do meu quarto, sem piedade,
De mãos vazias eu me sinto em prisão

Prisão na minha própria dúvida
Prisão na minha própria reflexão
Enclausurada nos desencantos da vida
Angustiada por não ver solução

Se a noite parece sonho pra alguém
Para mim não parece não
A inacreditável realidade também
Não nos oferece conforto ou perdão

A chuva que chora na vidraça, sem cessar
Pode parecer que de mim se compadece
Ilusão! Olhos de vidro não podem chorar
E mão vazia nada oferece...
MAR DO AMOR
Marlene Caminhoto Nassa

Foi tudo de bom
Navegar em seu mar pelo mundo
Quando havia tempo de calmaria
Nossas velas você recolhia
E lançava a âncora bem fundo

Ancorados em mar alto
Nada podia nos atrapalhar
Sentindo a brisa macia
No nosso corpo a tocar

Balançando nas suas águas
Às vezes conseguia até mergulhar
Catava as estrelas marinhas
E você me dava as do luar

Comíamos as estrelas da água
E com as do céu
Alimentávamos nosso sonhar

Mas o tempo de calmaria
Começou cedo a mudar
Soltamos as velas
Mas no meio da tempestade
Era impossível navegar

Nossa caravela água pôs se a fazer
E o mar do amor
Antes tão calmo e sereno
Ameaçava a nos arrastar
Em suas águas revoltas

E com todas as velas soltas
Ficamos perdidos nesse mar

Náufragos nesta praia deserta
Seremos presa certa
Pode crer
A não ser que desses destroços
Outra embarcação possamos fazer...
INSACIÁVEL
Marlene Caminhoto Nassa

Não tem fim a sede
Que tenho de te
Amar
É como a água
Na areia do mar
Que vai e volta
Sem cessar

Quero fartar-me
Dos teus beijos
Dos teus carinhos
Dos teus desejos
E de ficares dentro de mim

Eu te receberei
E te acolherei
Num prazer sem fim
Estarei sempre querendo
Que me possuas
Eternamente assim

Insaciável desejo
Insaciável tesão
Não me sacio sem teus beijos
Nem tampouco com minha mão...

terça-feira, 5 de julho de 2011

CÂNTARO QUE SE PARTE
Marlene Caminhoto Nassa

Mesmo aos pedaços assim
O lindo cântaro de água
Espalhado em cacos pelo jardim
Parece alguma história de amor

Imagino que um dia ele foi lindo
Querido e desejado
Cheio de água ou de flor
Era sempre festejado
Enquanto servia a rigor

No chão, triste e quebrado
Sem serventia nem valor
Almeja não ser muito pisado
Para não sentir tanta dor

Aos pedaços, sem sua identidade
Ninguém hoje se lembra
O quanto ele deu de felicidade
Nem tem idéia de quanta sede aplacou

Não pode ser mais refeito
Assim esmagado e desfeito
Por mais que se sinta só
Não há jeito:
É como nós
Vai acabar virando pó...



CANÇÃO PROIBIDA
Marlene Caminhoto Nassa

Como proibir uma canção?
Isso aconteceu no Brasil
Só nos tempos de repressão

Tristes histórias que temos
Para recordação
Lindas poesias músicas
Pensamento arte canção
Eram proibidos por arbítrio
Dos censores do regime de então

Fiz parte dessa luta
Pela volta da liberdade de expressão
Não se imagina país democrático
Embaixo de grilhão

Nossa palavra nasce livre
E da arte qualquer manifestação
Deve ser aceita sem senão

É só assim que vive de verdade
Em liberdade
Qualquer povo
Qualquer nação
CHUVISCO
Marlene Caminhoto Nassa

Não quero ser
Só um chuvisco
Em terra seca
Estéril
Desenganada

Essa chuva tem que ser
Densa pesada
Fácil de se perceber
Que encharque
Qualquer aridez

Promova
Fecundidades
Remova
Toda a estupidez
De amor
Que impede
De nascer
Flor

Mate do solo
A sede
Transmude
A sua cor

Não posso,
Se quero tudo
Molhado ver,
Simples chuvisco ser

Chuvinha
Que parece farinha
E que desce
Mansinha

Cansei de ser...
BOITATÁ
Marlene Caminhoto Nassa

Quero viver essa alegria
Participar dessa folia
E com voces duelar
Pular carneiro nas nuvens
E nos ventos rodopiar

Escutar na noite o lamento
De apaixonado sob o luar
Querendo o fim do tormento
E com sua amada reatar

Tecer num tear de estrelas
Redes para pescar o ar
Reter nos fios cintilantes
Todo brilho que amealhar

E com ele te fazer enfeite
Prender no teu dorso
E te deixar em deleite
Envolto nesse brilhar

E nas noites te ver
Pelos campos a voar
Iluminando qualquer clareira
Meu boitatá particular!
DE MÃOS DADAS
Marlene C.aminhoto Nassa

Minha paisagem é por inteiro!
Sem ovelhas nem pastores,
Mas com galinhas brancas no galinheiro,
O abacateiro...
Roupas coloridas no varal
O pé de amoras, o formigueiro...
Até o cheiro do quintal!

Tudo fica numa caixinha,
Bem ao lado da ladainha
Que minha mãe punha-se a rezar,
Lá no fundo da memória.

E quando eu quero recordar,
Abro, devagar, a caixinha,
E a menina que está lá dentro,
Vem correndo me buscar!
E nós saímos de mãos dadas,
Ela me ensina a temer nada,

E numa cúmplice parceria,
Ela me reconstrói a alegria,
Do pé descalço na enxurrada,
De olhar o arco íris
Logo depois da chuvarada!

E quando ela volta pra caixinha,
Que gracinha!
Bem velhinha!
Aí sou eu que começo a engatinhar!
DISFARCE
Marlene Caminhoto Nassa

Tu te suplantas
Nos disfarces
E nas mentiras
Que tentas
Aplicar em mim

Sabes que não sou idiota
Mas se comporta mesmo assim
Enganas a ti próprio
Não a mim

Lugar de palhaço
É no picadeiro
E de galo
É no poleiro

Estou muito cansada
De atitudes infantis
Cresça
Amadureça
Enfim

Quem sabe
Não haverá
Entre nós
Inevitável fim
É TARDE DEMAIS?
Marlene Caminhoto Nassa

Missão cumprida
Filhos criados
Encaminhados
Vontade
De recomeçar

Uma nova carreira
Uma nova vida
Um outro vivenciar
Sem nenhuma opressão

È até possível
Não ser compreendida
Sentir solidão

Ser agredida
Por expor
A ferida
Sem compaixão

Será que vale a pena
Sair de cena
Em plena atuação?

Não é
Tarde demais
Para sonhar
Para gostar de si
Querer se preservar?

Não é tarde demais
Para algum recomeço
Enfrentar o tropeço
Que o futuro poderá dar?

Não é tarde demais
Para se ter esperança
Sem viver de lembrança
Ruim de guardar?

Não é tarde demais
Para novamente
Amar?
EDREDOM
Marlene Caminhoto Nassa

Embaixo do edredom
Mãos em sintonia
Num mesmo tom
Esquentaram a noite fria
E entramos em ebulição

Com nosso corpo colado
O coração pulsando apressado
O pobre do edredom
Foi logo jogado de lado

Melhor do que qualquer
Cobertor
É ter uma relação
Com amor
CONSTELAÇÃO
Marlene Caminhoto Nassa
Lena Serena

Tudo o que mais quero agora
É que repouses tua boca em mim
Percorrendo meus caminhos assim

Que gota a gota pingue sem cessar
Teu sal e mel retemperando o desejo
E engula com teu beijo o meu pensar

Que te aposses de meus sonhos
E descubras meus mais ousados anseios
Explorando com tua boca os meus seios

Que sacies a tua e a minha fome
Pescando estrelas no céu da minha boca
E pouco a pouco tu me ponhas louca

Enquanto me possuis e gritas o meu nome
Vais dizendo que me ama
Trocando estrelas pela nossa boca

E uma constelação delas se derrama
Inteirinha em nossa cama...
AS DUAS LÍNGUAS
Marlene Caminhoto Nassa

Sua língua é sensual, com certeza,
Mas não se esqueça não
De sempre fazer a correção
Também da língua portuguesa

Dou o desconto pela empolgação
Pela intensidade da paixão
As duas línguas devem ser cuidadas com amor
Aquela que explora um corpo
E a outra que fala o que for...

A pessoa saborosa é aquela que sabe bem
Esgrimir a língua da boca
E a língua da pátria também...
COLAR DE PÉROLAS
Marlene Caminhoto Nassa

Tu, deitado ao meu lado,
A me olhar...

E eu, ajoelhada e nua,
Com pérolas,
Para te enfeitar...

Quero envolver teu sexo
Com pérolas de meu colar
Circular suavemente,
Fazendo cada conta ir roçando,
Tua carne rija e quente,

E essas pérolas, como uma serpente,
Qual toque sutil de um dente,
Comprimindo o suficiente
Para te fazer enlouquecer
De prazer
Enrodilhadas na coluna tua...

De testemunha
Somente a lua...
POEMA DE CARNE
Marlene Caminhoto Nassa

Nós dois somos poesias de carne
Quero, então, declamar em ti,
Todos os versos que souber

E com a força do teu abraço
E com o verbo que teu corpo dita
Sei que escreverás em mim
Também poesia bendita

Seremos versos livres de puro Prazer
Vivendo juntos esta poesia louca
Declamada com nosso corpo
Nossa boca
Ou o que for
A escrever
Esse poema de carne
E de amor
QUERIA TANTO!
Marlene Caminhoto Nassa


Queria tanto, neste momento,

Que seu corpo quente cobrisse o meu

E o aquecesse profundamente

Arrancasse desejos dormentes

Despertasse toda paixão que reprimo

E todo desejo saciado em solidão....

Queria tanto que seu toque suave

Substituísse as minhas mãos

E que minha noite triste

Tivesse fim

Que esse alguém realmente existe

E nunca saísse de perto de mim!
LIGAÇÕES
Marlene Caminhoto Nassa

Ligações do que?
De brisa?
Estendi os meus braços
E alcacei os teus abraços
De nuvem...

Nossos corpos se colaram
Mas o que restou
Por tu seres de nuvem
Foi só a chuva
De um pranto doloroso
Gritado em trovões

E uma fria tempestade
De granizos
Depois...
TEU LUGAR
Marlene Caminhoto Nassa


Em meio a um turbilhão
Que me sacode e arremessa
Presa nesse vendaval sem direção
Que de trégua sequer há promessa

Possuo só o calor do meu verso
E o final da dor tarda em chegar
Pois esse destino perverso
Teima sempre em me torturar

Atada a esse desamor eu faço
Rituais de minha descrucificação
Dessa falsa cruz do teu abraço
E sigo em triste procissão

E em meio a essa noite fria
A solidão pôs se a aninhar
Na minha cama agora vazia

E já tomou de vez teu lugar...
PEQUENAS DISTRAÇÕES
Marlene Caminhoto Nassa


Às vezes nos
deparamos
Com barreira em nosso pensamento
E mesmo que queiramos
Expressamos
mal nosso sentimento

São pequenos lapsos
Pequenas distrações
Que
desligam traços
Ou nos provam contradições

Foram essas
distrações
Que me mostraram
Quem tu eras bem

Tua boca dizia
uma coisa
Que não valia vintém
Mas era a tua atitude
Que te
exibia tão bem
MORRER SONETO
Marlene Caminhoto Nassa

Essa luz que rasga o céu de ponta a ponta
Carrega um poema dentro de si, já pronto
Dá ao poeta que os seus versos pesponta
A tonalidade dum brilho que o deixa tonto

O menestrel inspirado abre sua alma em cores
Ajuntando todos seus amores dispersos
Entrega a eles buquês e arranjo de flores
Feitos com a ternura dum soneto em versos

E a profusão de cores dessa flor verso
Derramada em luzes desse amor disperso
Eleva minha alma em sintonia ao universo

E esse poema em mil cores já envolto
Aos poucos ganha autonomia, e solto,
Vai morrer soneto, em algum mar revolto...
NA DOBRA DO COMPASSO
Marlene Caminhoto Nassa

O que faço
Nessa dobra
Do seu compasso?
Acelero o passo?
Não sei se posso...

Com esse compasso
Fico sem espaço
De me movimentar
Está difícil
Dançar

Compasso dobrado
Acelerado
Faz me
Cansar

Cansada e desanimada
Nessa música acelerada
Só consigo ficar parada

Vamos uma coisa
Combinar?

Se você acalmar
Esse seu compasso
Aí eu posso
Também dançar...
NO CORPO MEU
Marlene Caminhoto Nassa

Já fizestes poesia
No corpo meu
Escrita com mãos
E o beijo teu...
POESIA QUE FAZ CALAR
Marlene Caminhoto Nassa

Sou sobriedade e certeza
Teço o meu destino sem freio
Sinto me tão poesia, sem rodeio
Verso-me em crível destreza

Eu verso com quem me completa
O coração pulsa em câmera lenta
E quando a paz, então, se afugenta
A poesia se insere tão certa

E quando ela surge certeira, rabugenta,
Impondo se sem rodeio e sem freio
Fico amarrada, tolhida e sem meio

E só ela permanece soberana a reinar
Não admite qualquer entremeio
E para não fazer feio, ponho me a calar
UM VULTO UM OLHAR
Marlene Caminhoto Nassa

O que restou de lembrança
Foi a expressão de seu olhar
Que parecia não acreditar
Que eu queria tudo terminar

Abusou da minha paciência
Levou embora minha inocência
E me fez desacreditar
Para sempre em amar

Não tive outra opção
Ou continuaria a opressão
Ou dava logo um basta
Nisso tudo
E tratava de me levantar

Sua presença
Antes tão imponente
Reduziu-se num vulto
Escuro à luz do luar

Aí você ficou mudo
Não havia
O que contestar

Refletido naquele muro
Um vulto seu
No muro
E uma lágrima
No meu olhar