sexta-feira, 29 de novembro de 2013

EM SEGREDO
Marlene Caminhoto Nassa

Quero mergulhar no teu mar em segredo
Um mergulho preciso intenso e sem medo
Que me conduza em comunhão
Com teu centro de criação e emoção

Saber entender os lampejos
E o porquê que me negas os beijos
E teus olhos que ignoram meu olhar
Como poder saciar todos os meus desejos
Sem que isso te faça incomodar?

Desejo mergulhar no mais profundo do teu mar
Sentir tua âncora fincada em mim bem forte
E abrir comportas deixando nossas águas a inundar

Morrer assim afogados não será morte
É sorte é só uma pequena e efêmera morte
Mergulhemos um no outro sem medo

Saberemos deixar isso em segredo...

terça-feira, 26 de novembro de 2013

O QUE FAÇO
Marlene Caminhoto Nassa

Essa chama e a semente
Que se alimentam sempre
Da alma sua e do desejo meu ...
Transbordam em minha mente
De tal modo tão intensamente
Que deixa o meu corpo em chama
Contraindo tudo de repente
Bem dentro de meu ventre
E essa involuntária contração clama
Sussurrando a você ternamente
Procure ouvir e ler nas entrelinhas
E nas dobras de minhas ladainhas
Deixe a minha boca ser o lençol seu
Deixe um só beijo seu ser o sol meu
Aqueça meu coração desvalido
Na brevidade de um ato mesmo proibido
Não me negue esse beijo e esse abraço
Nem me deixe neste descompasso...


Eu o quero muito... O que faço?


domingo, 20 de outubro de 2013

CARTAS MARCADAS NO JOGO DO FIM

CARTAS MARCADAS NO JOGO DO FIM
Marlene Caminhoto Nassa

Na escuridão do meu dia
Seguro fiapo de luz
Que possa
Nessa grande fossa
De alguma maneira
Me iluminar.
Só possuo a cruz do destino
Para nela me crucificar
E ela é tão fria
O quanto minha vida
Poderá ficar vazia
Nem mesmo o calor
Tão tênue desse verso
Fará algum reverso
Nas cartas marcadas
Desse destino tão perverso
Não haverá mais verso
Nosso jogo chegou ao fim
Eu sem você

E você sem mim...
CARTA MARCADA
Marlene Caminhoto Nassa

Não adiantou carta embaralhada
No jogo da nossa vida
Se você usou carta marcada
Abriu-me a ferida
Da banca quase falida

Mas com a carta descartada
Inspirando a coragem
Para uma nova rodada
E a vontade redobrada
Prometo que viro esse jogo
Com a carta enjeitada
E sei que nessa mão
Sem carta marcada
Ganho de lavada
E lhe coloco no chão

domingo, 1 de setembro de 2013

NÃO NASCEU POESIA
Marlene Caminhoto Nassa

Desejei  teu verbo semente
Depositado docemente
Na minha carne quente
Declamado nos meus ouvidos
E engravidando minha mente
Mas me fez viver só o presente
Embaralhando os meus sentidos
Que me esqueci de ser prudente

 Atada àquele instante
Pelo elo sensual gigante
Com o coração hoje indigente
Não sou nada do que queria

E em vez de engravidar de poesia

Estou mais estéril e vazia...

AGORA

AGORA
Marlene Caminhoto Nassa

Desejo viver o agora
Não quero pensar no amanhã
Uso sempre meu melhor perfume
E perfumo o caminho que passo
Contemplo da noite o negrume
Não me arrependo do que faço
Coloco diariamente na mesa
As melhores louças e cristais
Enxugo me com toalhas macias
Acendo velas em castiçais
Quero somente usar
O que de melhor possuir
Sem nunca me preocupar
Se amanhã poderei fluir
É preciso viver o agora
Mesmo quando não se quer
E se amanhã é alguém
Que por nós chora
Em um cemitério qualquer?
Se eu estou viva nesta hora
Não sei o depois do amanhã
Só levarei o que vi ouvi e senti
E o que estiver dentro de mim
Se nessa vida não gozar
Das coisas boas, enfim,
Serão os outros a aproveitar
Desses bens em vez de mim