domingo, 20 de outubro de 2013

CARTAS MARCADAS NO JOGO DO FIM

CARTAS MARCADAS NO JOGO DO FIM
Marlene Caminhoto Nassa

Na escuridão do meu dia
Seguro fiapo de luz
Que possa
Nessa grande fossa
De alguma maneira
Me iluminar.
Só possuo a cruz do destino
Para nela me crucificar
E ela é tão fria
O quanto minha vida
Poderá ficar vazia
Nem mesmo o calor
Tão tênue desse verso
Fará algum reverso
Nas cartas marcadas
Desse destino tão perverso
Não haverá mais verso
Nosso jogo chegou ao fim
Eu sem você

E você sem mim...
CARTA MARCADA
Marlene Caminhoto Nassa

Não adiantou carta embaralhada
No jogo da nossa vida
Se você usou carta marcada
Abriu-me a ferida
Da banca quase falida

Mas com a carta descartada
Inspirando a coragem
Para uma nova rodada
E a vontade redobrada
Prometo que viro esse jogo
Com a carta enjeitada
E sei que nessa mão
Sem carta marcada
Ganho de lavada
E lhe coloco no chão

domingo, 1 de setembro de 2013

NÃO NASCEU POESIA
Marlene Caminhoto Nassa

Desejei  teu verbo semente
Depositado docemente
Na minha carne quente
Declamado nos meus ouvidos
E engravidando minha mente
Mas me fez viver só o presente
Embaralhando os meus sentidos
Que me esqueci de ser prudente

 Atada àquele instante
Pelo elo sensual gigante
Com o coração hoje indigente
Não sou nada do que queria

E em vez de engravidar de poesia

Estou mais estéril e vazia...

AGORA

AGORA
Marlene Caminhoto Nassa

Desejo viver o agora
Não quero pensar no amanhã
Uso sempre meu melhor perfume
E perfumo o caminho que passo
Contemplo da noite o negrume
Não me arrependo do que faço
Coloco diariamente na mesa
As melhores louças e cristais
Enxugo me com toalhas macias
Acendo velas em castiçais
Quero somente usar
O que de melhor possuir
Sem nunca me preocupar
Se amanhã poderei fluir
É preciso viver o agora
Mesmo quando não se quer
E se amanhã é alguém
Que por nós chora
Em um cemitério qualquer?
Se eu estou viva nesta hora
Não sei o depois do amanhã
Só levarei o que vi ouvi e senti
E o que estiver dentro de mim
Se nessa vida não gozar
Das coisas boas, enfim,
Serão os outros a aproveitar
Desses bens em vez de mim

sábado, 17 de agosto de 2013

COLAR DE PÉROLAS
 Marlene Caminhoto Nassa

 Tu, deitado ao meu lado,
 A me olhar...

 E eu, ajoelhada e nua,
 Com pérolas,
 Para te enfeitar...

 Quero envolver teu sexo
 Com pérolas de meu colar
 Circular suavemente,
 Fazendo cada conta ir roçando,
 Tua carne rija e quente,

 E essas pérolas, como uma serpente,
 Qual toque sutil de um dente,
 Comprimindo o suficiente
 Para te fazer enlouquecer
 De prazer
 Enrodilhadas na coluna tua...

 De testemunha

 Somente a lua...

domingo, 11 de agosto de 2013

NÃO DIGAS NÃO

NÃO DIGAS NÃO
Marlene Caminhoto Nassa

Eu te quero de qualquer
Maneira
Só não me deixes aqui
Nesta beira
Equilibrar-me tentando
Pois o poço é fundo...
Nem jamais deixando
Esse meu pranto rolar
Amanses um pouco
O teu frio e duro coração
E nunca, jamais,

Não me digas mais não!