segunda-feira, 10 de setembro de 2012


EXTREMOS

Marlene Caminhoto Nassa

 

A tristeza se liquidifica

Na lágrima que verte

Da sensação que fica

No vórtice da emoção

Que arrebatadoramente

Levou de roldão a razão

 

É de extremos nossa mente

Ódio e paixão nos habitam

Livremente

No lugar da vida

Pode restar a ferida

Ou a morte

Nessa difícil lida

Por sorte

Teremos paixão

Ou será só solidão

 

Viver em extremo

No fio da navalha

Beber o veneno

Esperando a mortalha

Ou por algo que valha

Como um gozo feliz

Estraçalha qualquer motriz

 

A bala pronta na agulha

É tudo aquilo que se diz

Pode ser a fagulha

Com gosto amargo de fel

Ou delicioso mel

Pode ser um estopim

Que queime e mate raiz

Ou que nos leve ao céu

Ou que nos faça para sempre

Infeliz!

 

 

PALAVRAS

Marlene Caminhoto Nassa

(dedicada e inspirada em frase de Vitor Pena Viçoso)

 

Sobrepostas em camadas de memória

Bailam as palavras no dicionário

Anunciam derrota ou celebram vitória

São às vezes como orações de breviário

Que o padre reza no silêncio em sua cama

Significam e trazem o peso de sua história

E se revestem de flores como nessa rama

Ou de dores e de horrores e não de glória

De acordo com a maneira que se trama:

Na poesia, na prosa, na paródia ou na simples fala

Em sotaques, em quem odeia ou em quem ama

Ou na palavra solta e desenfreada que se rala

Enrosca, acumula, engrandece, engravida e cresce

De sentidos, de história, de desejos e de prece...

 

terça-feira, 14 de agosto de 2012

RENASCER
Marlene Caminhoto Nassa
Encostar suave em tuas costas
Meu corpo quente junto ao teu
Num enlace do jeito que tu gostas
E que dá asas ao desejo meu...
Ficar assim gudadinho
Ouvindo teu coração bater
Descer a mão devagarinho
E sentir teu corpo renascer...

 
VIRTUAL
Marlene Caminhoto Nassa

Desejo o subjugo consentido
Dos teus braços fortes a me enlaçar
Amar até perder o sentido
E também te realizar...

Se me queres assim em paixão
Também haverá a entrega total
Serei tua e serás meu em comunhão
Nem que hoje seja só no virtual...

sábado, 11 de agosto de 2012

JOGO DA VIDA


JOGO DA VIDA
Marlene Caminhoto Nassa

No jogo da vida
Sem carta marcada
Nem curar a ferida
Da banca falida
Revolve as questõs dessa vida
E não resolve a angústia da ida
Nem tampouco apaga
Toda brasa dormida

Um sopro, uma aragem,
Um vento sutil
Devolve essa chama
Devolve a coragem
Que doi mas que clama
                                                                          Para impedir o funil
                                                                          De sentimento pueril
                                                                         Que se espreme na alma
                                                                         E nos tira essa calma
                                                                         E nos ata num só fio...

XADREZ
Marlene Caminhoto Nassa

Como não jogo xadrez
Proponho um xerez
Pois quem sabe dessa vez
Tu que Já fostes rei
E se tua rainha serei
Lutaremos contra as torres
Impenetráveis, inatacáveis
Desse jogo sem ganhadores
Teu beijo a aplacar minhas dores
E o meu beijo a te levar flores
Amansará teu coração de peão
Se o bispo não nos atrapalhar
Minha rainha e o teu rei
Nesse tabuleiro de amar
Derem cheque mate na cama
Como cavalo a galopar...

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

HOUVE VIDA E ÁGUA EM MARTE?

MARTE AZUL
Marlene Caminhoto Nassa
Água azul em Marte?
Prever nossa sorte?
Já foi azul também?
Árida, poluída, doída
É só o que hoje tem
Nossa futura morte
e sorte também?
Terra:
Reparte comigo agora
A cor azul da água tua
Para eu pintar sem demora
Enquando houver refração
E as cores todas  a escolher
Marte nos mostra agora a crer
Que existindo só o vermelho de cor
Sangue  de vida extinta que devia haver
Será a cor exata de nossa futura dor
E não haverá mais nenhum pintor...