sábado, 21 de dezembro de 2013

NO MEIO DAS ALGAS

NO MEIO DAS ALGAS
Marlene Caminhoto Nassa

Nas ondas do meu ventre
Teu barco singra desgovernado
Sob meu olhar de gaivota
Faminta
Tua âncora é lançada
Sem que eu sinta
Usando a corda até o fim
Descendo por esse mar profundo
E fincando-se no fundo de mim

Ancorado e agora governado
Na sincronia de ondas
Raios de luz aquecem as águas
Transparecendo o dorso prateado
Do peixe esguio que se movimenta
Alucinado e fisgado
No meio das algas
Que agora tu salgas


ALMA DE FEL

ALMA DE FEL
Marlene Caminhoto Nassa

Como em uma torrente
De restos de uma antiga tormenta
Vem uma emoção diferente
E ela no meu peito se alimenta

Exaure-me a alegria e mente
A mim e a todos ao meu lado
Quando transforma em feliz liturgia
Profanando meu equilíbrio sagrado
As coisas do esquecido passado

É celebrado o batismo dessa falsa alegria
Em um altar capenga e pagão
Erguido nessa lembrança cruel
Despedaça me para sempre o coração

E enche-me a alma de fel

SOBRANDO

SOBRANDO
Marlene Caminhoto Nassa

Vou-me embora
Com as mãos abanado
E foram tantas as conquistas
Que eu mesma acabei sobrando

PÁGINA EM BRANCO
Marlene Caminhoto Nassa

Na pontinha dessa beira
Da página à minha frente
Tento me segurar de repente
Sentindo fluir em cadência
A inspiração e o precipício
Paro, respiro e a mim mesma eu falo:

__Escrevo tudo com fluência
Ou definitivamente eu me calo?

E na dúvida da razão e do vício
Que me assaltou no princípio
Fico sempre com a minha loucura
Abrindo meu coração e flanco

Quando a página está em branco

MEUS MEIOS

MEUS MEIOS
Marlene Caminhoto Nassa

Retires as tuas mãos
Dos meus seios
De onde até ontem
Fizestes recreios
Hoje me liberto
Desses freios
E voarei bem longe

Com meus próprios meios

sexta-feira, 20 de dezembro de 2013

A LINGUAGEM QUE ME CALA
Marlene Caminhoto 

Bebes o luar dos olhos meus
E eu me perco no calor dos teus
Minhas mãos tateiam pelas sendas
Do teu corpo nu banhado das águas
Que porejam do meu mar...
E minhas fendas são visitadas
Por tua boca
Sempre louca
Que desenha freneticamente
Imaginárias figuras em minha mente
Com tua língua no meu ventre...
No duelo travado dos nossos corpos
Enroscados docemente
Silencias os meus gritos com teu beijo
Enquanto teu falo fala
Sem pejo
A única linguagem que depois me cala!


terça-feira, 17 de dezembro de 2013

POSSE DE SI...

  •  Invada... Tome posse, faça valer o usucapião de si... Não espere pela burocracia idiota humana... Ela não conhece a conjugação correta do carne e alma... Conhece carma... E carma não nos arma para enfrentar as batalhas do eu comigo... Apele a amigo... aquele que não olha só seu umbigo... Fique sempre consigo e eu lhe sigo... Encoste se no meu peito, adormeça... Talvez ainda dê jeito... Faça de si próprio o seu melhor feito!