terça-feira, 27 de maio de 2014

A LINGUAGEM QUE ME CALA
Marlene Caminhoto

Bebes o luar dos olhos meus
E eu me perco no calor dos teus
Minhas mãos tateiam pelas sendas
Do teu corpo nu banhado das águas
Que porejam do meu mar...
E minhas fendas são visitadas
Por tua boca
Sempre louca
Que desenha freneticamente
Imaginárias figuras em minha mente
Com tua língua no meu ventre...
No duelo travado dos nossos corpos
Enroscados docemente
Silencias os meus gritos com teu beijo
Enquanto teu falo fala
Sem pejo
A única linguagem que depois me cala
NO MEIO DAS ALGAS
Marlene Caminhoto 

Nas ondas do meu ventre
Teu barco singra desgovernado
Sob meu olhar de gaivota
Faminta
Tua âncora é lançada
Sem que eu sinta
Usando a corda até o fim
Descendo por esse mar profundo
E fincando-se no fundo de mim

Ancorado e agora governado
Na sincronia de ondas
Raios de luz aquecem as águas
Transparecendo o dorso prateado
Do peixe esguio que se movimenta
Alucinado e fisgado
No meio das algas
Que agora tu salgas

domingo, 6 de abril de 2014

VELUDO (poesia)



VELUDO

Marlene Caminhoto

 

O toque veludo de suas mãos em mim

Transmudam-me a pele em cetim

E os tecidos de nossos corpos envolvidos

Fagulham ao se tocarem assim

 

Nossos olhares se encontram na encruzilhada

Dos seus braços que se enlaçam em mim

E recebo o beijo doce de sua boca

E você não me deixa dizer mais nada

Abafando os nossos gemidos sem fim

domingo, 30 de março de 2014

RÉDEA SOLTA


RÉDEA SOLTA

Marlene  Caminhoto

 

Amordaçaram minha boca

E impediram-me de expressar

Mas a rédea que a prendia

Começou a se soltar

Minhas palavras se livraram

E se puseram loucas a bailar

Por sobre as flores dançaram

Fazendo até o caule vergar

Não pude mais reter

Elas necessitavam se libertar

Ficaram entaladas no peito

Sem ninguém para ler

E agora brincam pelo ar

Livres desse jeito

E o meu verso

Com rédea solta

Qual cascata borbulhante

Em névoa envolta

Alforria me nesse instante

VIVER O AGORA


VIVER O AGORA
Marlene Caminhoto
 

Desejo viver o agora
Não quero pensar no amanhã

Uso sempre meu melhor perfume
E perfumo o caminho que passo

Contemplo da noite o negrume
Não me arrependo do que faço

Coloco diariamente na mesa
As melhores louças e cristais

Enxugo me com toalhas macias
Acendo velas em castiçais

Quero somente usar

O que de melhor possuir
Sem nunca me preocupar

Se amanhã poderei fluir

É preciso viver o agora
Mesmo quando não se quer

E se amanhã é alguém
Que por nós chora

Em um cemitério qualquer?

quarta-feira, 26 de março de 2014


BOLINHAS DE SABÃO

Marlene Caminhoto

 

O som que tiras de teu violino

Dizes ser um hino de louvor a mim

E ele me faz te ver menino

Encantado num sonho sem fim

Faço parte agora do teu sonho

Nossas vidas se convergiram enfim

Entrastes em minha vida como uma sina

Arrebatando para sempre meu coração

E eu me vejo outra vez menina

A brincar com bolinhas de sabão